21 de março de 2013

O nosso blogue é parvo, mas também é culto a valer e celebra o Dia Mundial da Poesia

Versos alentejanos


Mê amôr chama-se Bia
Quando a vejo fico em brasa
O coração bate-me no pêto
Parece um maço de calçada.

Chamaram-me ontem: Manéli!
E ê cá nã disse nada
Respondêr a uma mulheri
É perigoso por causa da guarda.

No alto daquele monte
Vi-te ê ontem a sorriri
Senti uns calôres ruins
Só m’apeteceu despiri.

Quando caem as prumêras chuvas
E as rubêras ultrapassam os sês alemites
Os pêxes arrafugiam-se todos debáxo dos alandroêros
E ê vô lá e pápi-os.

Fui ao mar apanhar búzios
Apanhi uns dez ou doze
Chigui a casa molhado
E em cima da cama os púzios.

Se o mundo tá de pantanas
Ê cá disso nada sê
Aqueles que aqui mandarem
Endrêtem o que vêem.

Nunca me chamem poeta
Porqu’êu só escrevo cagando
Nem fazedôri de versos
Qu’ê p’rás rimas me tou lixando.

Nesta vida de amargor
Nã se pode tudo têri
Ê cá nã tenho nadinha
Só tenho um pau p’ra fodêri.

Nã mo dêxáres usári
Nesse tê corpo rebelde
É motivo p’rê passári
A nôte em desassossego.

O mê burro tem albarda
Tem albarda sim s’nhôri
Tamêm tu já m’albardaste
Com esses olhos d’amôri.

O tê pai é uma besta
Daquelas de quatro patas
A tu mãe é uma tramôca
Nã querem marcar as datas.

Nã sê sé por ser póbri
Se por ser tamêm tã feio
Mas ê sê que tu és minha
E ê cá nã tenho arrecêio.

a versão foi censurada, porque o blogue é parvo, mas é decente

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