Versos alentejanos
Mê amôr chama-se Bia
Quando a vejo fico em brasa
O coração bate-me no pêto
Parece um maço de calçada.
Chamaram-me ontem: Manéli!
E ê cá nã disse nada
Respondêr a uma mulheri
É perigoso por causa da guarda.
No alto daquele monte
Vi-te ê ontem a sorriri
Senti uns calôres ruins
Só m’apeteceu despiri.
Quando caem as prumêras chuvas
E as rubêras ultrapassam os sês alemites
Os pêxes arrafugiam-se todos debáxo dos alandroêros
E ê vô lá e pápi-os.
Fui ao mar apanhar búzios
Apanhi uns dez ou doze
Chigui a casa molhado
E em cima da cama os púzios.
Se o mundo tá de pantanas
Ê cá disso nada sê
Aqueles que aqui mandarem
Endrêtem o que vêem.
Nunca me chamem poeta
Porqu’êu só escrevo cagando
Nem fazedôri de versos
Qu’ê p’rás rimas me tou lixando.
Nesta vida de amargor
Nã se pode tudo têri
Ê cá nã tenho nadinha
Só tenho um pau p’ra fodêri.
Nã mo dêxáres usári
Nesse tê corpo rebelde
É motivo p’rê passári
A nôte em desassossego.
O mê burro tem albarda
Tem albarda sim s’nhôri
Tamêm tu já m’albardaste
Com esses olhos d’amôri.
O tê pai é uma besta
Daquelas de quatro patas
A tu mãe é uma tramôca
Nã querem marcar as datas.
Nã sê sé por ser póbri
Se por ser tamêm tã feio
Mas ê sê que tu és minha
E ê cá nã tenho arrecêio.
a versão foi censurada, porque o blogue é parvo, mas é decente
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